27 agosto 2011

Reza a Lenda

Estes são os personagens de Reza a Lenda. No blog do Catarse tem mais deles e, em breve, vocês poderão ver os posteres deles.



20 abril 2011

Contos de Aceldama

Aceldama é uma cidade que foi erguida sobre uma ilha localizada ao norte do globo. Nesta cidade reinam o crime e o pecado, e para acentuar o clima de injustiça, um assassino profissional faz o papel de anjo da morte matando pessoas sem julgamento.
Abaixo, tem dois contos de Aceldama. Tenho mais no forno. E aviso que estes contos são apenas ensaios para futuras histórias em quadrinhos.

Chiquinho

Chiquinho era como o conheciam na comunidade. Aos vinte e dois anos, era a pessoa mais falada do lugar. Uma roda de conversa improvisada na calçada não se desfazia sem antes passar pelo assunto “a última presepada do Chiquinho”.

Na quinta, falavam sobre como ele tentou violentar a filha mais nova de Dona Edivalda e de como o tio da criança apareceu na hora certa e escorraçou o filho-da-mãe.

Na sexta falavam de como Chiquinho espancou a irmã que não quis lhe dar dinheiro para comprar drogas. Ao voltar para casa de madrugada, sob o efeito da química, repetiu a violência.

No sábado, o assunto era o assalto de Chiquinho a uma panificadora. Dez minutos depois da fuga do indivíduo, a polícia chegou no local para ouvir a história – aproveitaram para comprar uns pães de queijo.

Domingo, os comentários eram sobre a casa que Chiquinho saqueou enquanto os donos passavam o dia na praia. Chegando em casa, a família encontrou seu fiel cão de guarda com cinco balas no ventre.

Mas a melhor história é a que circulou pela periferia de Aceldama na segunda-feira. Todos comentavam sobre como os policiais encurralaram Chiquinho numa igreja, aos pés de Cristo. Aquela era literalmente “a última presepada do Chiquinho”.



***



Ele estava sempre com a mesma camiseta encardida. Assim como a sandália e a calça jeans. Seu rosto magro de dependente químico o fazia parecer bem mais velho do que era de fato. Os cabelos lisos e a barba por-fazer o tornavam inconfundível. Foi assim que Capitão Jorge reconheceu seu procurado naquela manhã de dia santo.

Capitão Jorge era um policial intolerante. Havia feito 48 anos na semana anterior e sentia-se no auge de sua forma física. Seu metro e oitenta de altura e sua enorme massa muscular amedrontavam qualquer um.

Convocou reforços assim que avistou Francisco. Chiquinho não demorou a perceber que estava sendo seguido. Ao ver que quatro guardas tentavam cercá-lo, puxou sua arma e disparou contra os oficiais. Em resposta recebeu um tiro na cocha.

Mesmo sangrando e mancando, Chiquinho conseguiu despistar Capitão Jorge e seus homens. Pediu a sua irmã que vendia frutas na feira livre que o escondesse. Em vez disso, ela gritou indicando aos policiais o paradeiro do irmão. Já entrando em desespero, Francisco dobrou a esquina da Redenção com a passagem Boa Fé. Foi aí, então que ele viu: a imensa arquitetura gótica cujas torres apontavam o único caminho certo a ser seguido por qualquer humano na terra. O último lugar aonde alguém pensaria em procurá-lo.



***



Houve um tempo em que perseguir Francisco era apenas seu trabalho para o Capitão Jorge, mas, um dia, o caso se tornou pessoal. Na quarta-feira, o irmão do Capitão livrou sua filha caçula da ação pervertida de Chiquinho, mas, dois anos antes, a primogênita não teve a mesma sorte. Se o Capitão pusesse as mãos em Chiquinho, não pouparia a sua vida.



***



De joelhos na esquina, tentando suportar a dor, Chiquinho olhava para frente e percebia.

Bem ali.

Há trinta metros de seus pés descalços pela sandália que arrebentara.

No interior da morada de Deus.

Lá estava a sua salvação.



Chiquinho entrou e se escondeu no confessionário. Eu então lhe falei:

- Bom dia, meu filho, quer me falar de seus pecados?

- Olha, cara! Não me enche...tá? Fica sentado e, se te chamarem, ignora!

- Outra vez você está fugindo da polícia...

- Porra! Cala essa boca.

- Você não cansa dessa vida de violência?

- Ô, meu irmão! Eu tô com uma máquina aqui e, se tu não fizer silêncio, eu dou um jeito em ti... Tá entendendo?

- Você não crê na vida eterna. Por isso, acha que não importa o que você faz neste mundo, você jamais será punido. Você seria capaz de cometer suicídio para que ninguém tivesse o prazer de matá-lo. Mas pode acreditar, meu filho, o inferno existe! Ainda dá tempo de se arrepender.

- É cumpadi, tu fala muito! Só por causa disso, tu vai bater papo é com Deus, agora!



Ah! Ah!



Aí ele atirou na minha cabeça.

Cara, aquilo doeu pacas!



Então eu disse:

- Bom... eu tentei te convencer. De qualquer forma, isso não mudaria o que vai acontecer agora. O Capitão verá a igreja e seguirá em frente, mas voltará quando vir um de seus homens se benzer.

- Caralho! Eu atirei na tua cabeça e-e... – trocando a expressão de horror pela de resignação, ele me perguntou – Padre, esse é o tal poder de Deus?

- Pode-se dizer que sim, mas eu não sou padre. Eu sou a morte e vim aqui pra te buscar.

Chiquinho saiu do confessionário acreditando em tudo o que eu disse. Ele pensou em tudo o que fez de ruim na vida e se ajoelhou ao pé da cruz para pedir perdão.

Talvez ele tenha se arrependido de verdade, mas, se alguém o perdoou, não foi o Capitão Jorge.



Ao entardecer daquele dia de domingo, um som forte vindo da basílica de Aceldama ecoou por todo o bairro e, dessa vez, não era o som dos sinos.



FIM

A REVOADA DOS PERIQUITOS

Da janela de um prédio no centro de Aceldama, o pequeno Gil observava os periquitos que passavam em bando todas as manhãs fazendo um barulho ensurdecedor.

Ainda olhando os pássaros, ele me perguntou:

-Eu vou poder voar como eles?

Pondo a mão em seu ombro, lhe respondi:

-Cara, cê vai poder fazer tudo o que estiver a fim.

Ele então abraçou minha perna direita – era onde seu 1,10m de altura lhe permitia – e disse:

-Eu estou pronto. Pode me levar agora.

Carreguei o menino até sua cama e fechei seus olhos.

Minutos depois, sua mãe entrou no quarto para acordá-lo e percebeu que era impossível. Então ela chorou.

A parada cardíaca de Gil foi algo inesperado para seus pais. Não era comum a morte de crianças por aquele motivo. Mas, pelo visto, não era impossível.

Naquele dia, eu guiei o pequeno Gil até o portão dourado e, vendo a beleza de seu novo lar, ele pensou nas palavras que eu dissera, “Cara, cê vai poder fazer tudo o que estiver a fim”.

Duas semanas depois, o quarto de Gil estava vazio. Seus pais estavam se mudando para um lugar menor. Sua mãe resolveu entrar no quarto só mais uma vez. Ao parar na janela para ver a revoada dos periquitos, talvez tenha visto seu filho voando entre eles.



FIM

11 abril 2011

Sementes ao Pé do Caminho





Esta história eu desenhei há muito tempo para uma revista que nunca foi publicada.
Devo pedir desculpas, pois a página 8 está no lugar da página 6.
Por favor, expressem suas opiniões. Sem elas um artista jamais melhora.

07 abril 2011

O Gato Na Janela (páginas)

Há um tempo atrás, postei um conto sobre uma mulher que vivia solitária e tinha uma vida mediocre dinidida apenas com seu gato de estimação. Recentemente, desenhei esta mesma história. Aqui tem algumas páginas ainda em P&B. Digam se gostaram ou se estão uma MERcadoria.




21 março 2011

Aniversário da Biblioteca do CENTUR

Quer achar livros de autores paraenses, trocar seus livros velhos por novos livros velhos ou quer comprar a revista Catarse?
Vá ao CENTUR entre os dias 22 e 27 de março de 2011.

27 novembro 2010

Dejetown



Poucas pessoas costumam apreciar meu humor. Eu também não sou uma delas.

Cartoons




06 maio 2010

Carne Seca

Estou fazendo uma história em quadrinhos sobre cangaço. Mas quero dar um clima de história de samurai. Estes são alguns dos personágens que vão aparecer tocando o terror no sertão.